terça-feira, 2 de novembro de 2010

Analise do filme "Um sonho de liberdade" á luz dos estudos de Foucault.

                        

           Começamos a estudar a conferencia V de Foucault, que trata sobre a prisão e o funcionamento desse sistema como instituição de sequestro na sociedade. Nesse sentido, nos vem o questionamento do que seria esta instituição de sequestro. A prisão, como uma instituição de sequestro, visava com o sequestro do individuo, reconstruí-lo e adapta-lo para assim o inserir na sociedade posteriormente. Assim, o individuo seria o "criminoso" que era visto como uma anormalidade, um marginal, pois teria quebrado as regras do contrato social que aceitou tacitamente, sujeitando-se as suas sanções.

            A primeira função dessas instituições de sequestro, é a extração da totalidade do tempo do individuo, tendo como exemplo a fabrica-prisão, que em sua época de funcionamento, toma por total o tempo do individuo. A segunda função é não mais de controlar o tempo dos indivíduos, mas de controlar simplesmente seus corpos. E pra mim essa segunda função é a que mais está presente em nossas vivencias sociais, na construção do individuo, pois somos a todo tempo "adestrados" para ficarmos conforme o sistema a que servimos. Nestas instituições existem duas formas de poder, o polimorfo e o epistemológico, o primeiro é constituído pelo poder econômica, político e judiciário, o segundo trata-se do poder de extrair o saber dos indivíduos.

            Tratam-se de formas de adequação dos indivíduos na sociedade, pois no passado era o fato do individuo pertencer a um grupo que se era possível faze-lo vigiado. Já nestas instituições de sequestro, que se formaram no século XIX não é de forma alguma por pertencer a um grupo que ele é vigiado, ao contrário, é justamente por ser um individuo que ele se encontra colocado em uma instituição, sendo ela que irá constituir o grupo, a coletividade que será vigiada. Pois antes o individuo que cometia um crime, era excluído por total do meio social, já hoje, com estas instituições, já se reconhece a necessidade de reclusão desse individuo no meio social. Trata-se da inclusão pela exclusão, no caso da prisão, o individuo  é excluído do seio social, para ser reconstruído de forma que o mesmo possa vir a ser devolvido ao meio futuramente, e o mais importante, que se adapte a realidade desse meio.

           Adentrado nos assuntos que a conferencia tratou, nos foi proposto o filme "Um sonho de liberdade", para que com mais clareza, pudéssemos visualizar toda a teoria em nossa realidade social. Naquelas imagens pudemos enxergar as escrituras, avaliações e principalmente criticas de Foucault, pois é o posicionamento critico do individuo diante da coletividade, que poderá proporciona-lo o experimento de uma possível liberdade. Foucault acreditava que era a contra posição do individuo em relação aos problemas que o cercava em seu meio, que se era possível fazer acontecer um desenvolvimento e transformação social. Nesse pensamento, em analise ao filme, não pude deixar, de criar em minha pessoa, uma indignação, em relação ao sistema prisional ali presente, assim me refiro á não eficácia do sistema, proposto como instituição de sequestro, que garantiria a reconstrução do individuo. A privação da liberdade na verdade estava bem longe de cumprir o que se esperava dela, pois a questão da sobrevivência na prisão obrigava as pessoas a desenvolverem funções que o sistema reprovaria.

            No filme, podemos observar um homem que fora daquele sistema tinha uma conduta reta e honesta diante da sociedade, e ali, na prisão, teve que se abster dessa conduta honesta, por motivos de sobrevivência. Neste aspecto é que podemos observar o posicionamento critico que Foucault tanto defende.

            Em continuidade ao estudo, o "contra-poder", que nada mais é, o individuo que vai contra uma normalidade pré-estabelecida, por um sistema presente, acaba sendo o individuo descentralizador das normas do sistema, causando pequenas mudanças que unidas a outras pequenas mudanças, talvez seja capaz de mudar o sistema, se não no todo, pelo menos em parte. Quero deixar bem claro que não sou contra, de forma alguma, as normas sociais que aqui dividimos, reconheço a necessidade de suas existências, para assim poder se ter uma harmonização da convivência entre os seres, em uma sociedade cada vez mais pluralizada. O que sou contra é a passividade desses indivíduos, em relação ao aceitamento por total de um sistema falho, por simples comodismo pessoal, pois vivendo em sociedade, temos que reconhecer que somos interligados uns aos outros nessa dinâmica social.

             Com esse pensamento, conclui-se com Foucault, que ser critico não é ser contrario, e sim ter a capacidade de reconhecer as falhas de um sistema que precisa ser melhorado, de forma que possamos atingir a evolução social dos indivíduos, não como parte e sim como todo. A sociedade é algo a ser tratada e jamais ignorada. Ter a consciência que um sistema normatizador é necessário pra o funcionamento de uma sociedade, mas que esse sistema tem que suprir as necessidades da mesma, é o primeiro passo. No entanto, é necessário que tenhamos em mente que somos nós, os componentes desse meio, que fará acontecer esse suprimento que tanto necessitamos. Essa consciência servirá para modificarmos o real funcionamento desse sistema, pois sabemos que ele, por muitas vezes, foi/é falho.
           


"A felicidade é conceituada de forma equivalente ao sistema á que servimos"



Cristóvão alencar

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